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Até os 11 anos, o estudante e jogador de basquete Lucas, 13, não aceitava convites para
dormir na casa de amigos e se recusava a participar de competições em que precisasse
passar a noite fora de casa. Toni, 13, sempre dispensava as férias na casa de praia dos
tios. Motivo: ambos tinham medo de fazer xixi na cama.
Assim como eles, de 2% a 5% dos adolescentes até 15
anos têm enurese noturna, ou seja, urinam involuntariamente na cama enquanto dormem. A
ocorrência é frequente até os cinco anos de idade. Afeta pelo menos 15% das crianças
nessa faixa etária. A partir dos seis anos, a tendência é que de 10% a 15% das
crianças se curem espontaneamente a cada ano. Mas isso não quer dizer que elas não
devam ser tratadas. Nessa fase, a enurese pode afetar o desenvolvimento emocional e a
sociabilidade da criança", diz o urologista Luis Augusto Seabra Rios, do Hospital
Albert Einstein.
O primeiro passo, segundo ele, é conferir se a
enurese não está relacionada a infecções urinárias ou a outros problemas da bexiga.
Por isso, é importante que os pais observem se a criança tem urgência em urinar durante
o dia ou se expele sangue pela urina, sintomas que podem sugerir problemas mais sérios.
As causas da enurese noturna, quando não está
associada a nenhum outro sintoma, podem ser várias. A falta de um hormônio responsável
pela diminuição da quantidade de urina eliminada à noite e o atraso no desenvolvimento
de áreas do sistema nervoso central que controlam o funcionamento da bexiga são algumas
delas.
Segundo o urologista Eric Roger Wroclawski, 50,
presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, a herança genética é outro fator
importante. Se o pai ou a mãe da criança tiveram enurese noturna na infância, as
chances de o filho apresentar o mesmo problema são de 40%. Se ambos eram enuréticos, as
chances vão para 70%.
O tratamento da enurese pode se dar por meio de
remédios, de terapia comportamental ou da associação de ambos. Wroclawski afirma que
somente um médico especialista, após avaliar o histórico e os exames da criança,
poderá indicar o tratamento ideal.
Segundo a pediatra Maria Teresa Nardin Sauer, 39,
diretora do departamento científico da adolescência da SBP (Sociedade Brasileira de
Pediatria), o uso de alarme - um sensor colocado próximo aos genitais que dispara um
alarme quando detecta as primeiras gotas de urina - tem sido de grande ajuda no
tratamento.
Ao ouvi-lo, o adolescente acorda e vai urinar no
banheiro. Após três a seis meses, segundo Sauer, a pessoa adquire um condicionamento e
não precisará mais do sensor para urinar quando sentir que a bexiga está cheia.
Para Sauer, é fundamental que os pais de crianças e
adolescentes com enurese se convençam de que o problema tem grandes chances de cura e
não é provocado por "preguiça" do filho de ir ao banheiro. "Não é
culpa dele. Ele não faz isso para chamar a atenção. Fazer a criança se sentir culpada
por algo que ela não controla é uma total ignorância."
Possíveis dificuldades emocionais, embora sejam
sempre mencionadas pelos pais como a principal explicação da enurese, não são
consideradas causas importantes, segundo Sauer.
Muitas vezes, o problema emocional é resultado das
frustrações pelas quais o adolescente passou em razão da disfunção. "O apoio
psicológico é importante porque ele se sente fracassado, perde a auto-estima",
afirma, ressaltando a necessidade de os pais ajudarem os filhos a acreditar na sua
capacidade de vencer o problema.
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